O símbolo que representa a coragem, a união dos povos e o amor pelo Rio Grande do Sul já está na Região Central. A Chama Crioula chegou em Santa Maria nesta terça-feira (23). Um grupo de 17 cavalarianos, que representa a 13ª Região Tradicionalista, saiu de Canguçu em 14 de agosto, onde ocorreu a abertura dos Festejos Farroupilhas, e partiu em cavalgada pelo interior do Estado conduzindo a chama. Até agora, eles já percorreram cerca de 340 km em estrada de chão e asfalto.
Conforme o diretor do Departamento de Cavalgada da 13ª RT, o percurso é uma das marcas do cultivo das tradições.
– Para nós, essa retomada, depois de dois anos, é um motivo de alegria e satisfação. Quando ocorre a entrega da chama crioula no âmbito estadual a gente reencontra muitos amigos que conhecemos nessas cavalgadas ao longo dos anos, além de cultivar as tradições e relembrar os antepassados – comenta Gabriel.
A cada 25 km ou 35 km, o grupo descansa pelo menos 10 minutos. A saída ocorre logo cedo, por volta das 7h. Depois de cerca de 6h de cavalgada, os cavalarianos param em propriedades rurais particulares ou CTGS para descansar. Este ano, a Chama Crioula é conduzida em uma charrete, com as bandeiras do Brasil e do Rio Grande do Sul.
– A cerimônia em Canguçu foi muito bonita. A gente se diverte bastante durante a cavalgada. Esse ano, o percurso foi mais curto. Pegamos sol, cerração, frio, calor e só um dia de chuva – relembra Luis Francisco Trindade, integrante da 13ª RT.
A parada para o almoço de ontem foi no distrito de Santa Flora. Pela primeira vez, viajando na companhia dos tradicionalistas, estava Maria Elsa Carvalho Nunes, cozinheira que foi contratada pela 13ª RT. Ela conta que cozinhou feijão para acompanhar o arroz com couve e o espinhaço de ovelha do Ademar Pires Goulart que integrante da cavalgada.
– Tem sido maravilhoso. Em todos os lugares que chegamos, fomos bem recebidos. Estou muito orgulhosa. O pessoal elogiou a minha comida – comemorou a cozinheira oficial da cavalgada. Já o companheiro, Ademar Pires Goulart, não quis revelar o segredo da receita da comida campeira.
Apelidada de Anita Garibaldi, Maria Amélia Vasconcelos, 60 anos, participa da cavalgada junto aos integrantes da 13ª RT. Ela é a única mulher entre os 17 integrantes que conduzem a centelha e participa do evento há 8 anos. Ela e os companheiros chegaram na propriedade, desencilharam os animais para que eles pudessem descansar antes do próximo destino.
– Eu me criei no meio tradicionalista, no CTG, na lida campeira e tenho muito apreço. Comecei participando da cavalgada a convite de amigos e dei continuidade. A cada cavalgada, levamos a tradição de pago em pago – comemora Maria Amélia.
Na quarta, o grupo segue em direção ao distrito de São Valentim onde permanecerá até quinta-feira, quando está programada a chegada da Chama Crioula na sede da 13ª Região Tradicionalista. A centelha ficará no local até 13 de setembro, data em que deve ocorrer a distribuição para as 48 entidades tradicionalistas que integram a 13ª RT.
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Geração da chama
Cerca de 1,1 mil cavaleiros se reuniram no dia 13 de agosto, em Canguçu, para a cerimônia de distribuição da Chama Crioula, no Parque Turístico Nossa Senhora da Conceição. Desde então, os cavaleiros passaram a percorrer o Estado, levando a chama para as 30 regiões tradicionalistas.
A tradição começou em 1947, quando Paixão Cortes, Cyro Ferreira e Fernando Vieira retiraram uma centelha do fogo simbólico da pátria e acenderam o primeiro candeeiro crioulo, em Porto Alegre, representando a coragem, a união dos povos e o amor do gaúcho por sua terra.
Festejos 2022
Com o tema “Etnias do gaúcho: Rio Grande, terra de muitas terras”, os festejos neste ano consagram a diversidade étnica e cultural do Rio Grande do Sul. Depois de dois anos, Santa Maria volta a ter desfile no dia 20 de Setembro. No mesmo dia, às 18h, será feita a extinção da Chama Crioula.
Programação
Quarta (24): grupo de cavalarianos levará a Chama Crioula até o distrito de São ValentimQuinta (25): saída da Chama Crioula do distrito de São Valentim, com destino à sede da 13ª RT, no Parque Itaimbé13 de setembro: cerimônia de distribuição da chama para as entidades que integram a 13ª RT
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